sábado, 26 de abril de 2008

FILHOS DA PÁSCOA


FILHOS DA PÁSCOA

O desatino das inseguranças não faz barreira às esperanças

Da esperança, a dor; o sentido oculto que move os pés, o desejo incontido de ver as estradas se transformando, aos poucos, em chegadas "rebordadas" de alegrias.

Ir. Um ir sem tréguas, senão as poucas pausas dos descansos virtuosos que nos devolvem a nós mesmos. Idas que não findam e que não esgotam os destinos a serem desbravados. Passagens, páscoas e deslocamentos.

Eu vou; vou sempre porque não sei ficar. Vou na mesma mística que envolveu os meus pais na fé, os antepassados que vieram antes de mim.

Vou envolvido pela morfologia da esperança; este lugar simples, prometido por Deus, e que os escritores sagrados chamam de Terra Prometida. Eu a quero.

O lugar sugere saciedade e descanso. Sugere ausência de correntes e cativeiros... Ainda que o caminho seja longo, dele não desisto. Insisto na visão antecipada de seus vislumbres para que o mar não me assuste na hora da travessia. Aquele que sabe antecipar o sabor da vitória pela força de seu muito querer, certamente, terá mais facilidade de enfrentar o momento da luta.

O povo marchava nutrido pela promessa. A terra seria linda; nela, não haveria escravidão. Poderiam desembrulhar as suas cítaras, cantar os seus cantos, declamar os seus poemas. A terra prometida seria o lugar da liberdade. Mas, antes dela, o processo. Deus não poderia contradizer a ordem da vida. Uma flor só chega a ser flor depois que viveu o duro processo de morrer para suas antigas condições. O novo nasce é da morte. Caso contrário, Deus estaria privando o seu povo de aprender a beleza do significado da Páscoa.

Nenhuma passagem pode ser sem esforço. É no muito penar que alcançamos o outro lado do rio, o outro lado do mar... E assim foi. O desatino das inseguranças não fez barreira às esperanças de quem ia. O mar vermelho não foi capaz de amedrontar os desejosos da Terra, os filhos da promessa. Pés enxutos e corações molhados, homens e mulheres deitaram suas trouxas no chão; choraram o doce choro da vitória e construíram, de forma bela e convincente, o significado do que hoje também celebramos.

A vida cresceu generosa, o significado também.

Ainda hoje, somos homens e mulheres de passagens; somos filhos da Páscoa.

Os mares existem, os cativeiros também. As ameaças são inúmeras, mas haverá sempre uma esperança a nos dominar; um sentido oculto que não nos deixa parar; uma terra prometida que nos motiva a dizer: Eu não vou desistir! E assim seguimos juntos, mesmo que não estejamos na mira dos olhos.

O importante é saber que, em algum lugar deste grande mar de ameaças, de alguma forma estamos em travessia...

Fonte: Padre Fábio de Melo

A FÉ DE EXPECTATIVA


A FÉ DE EXPECTATIVA

A fé é um dom por excelência, tão importante quanto o dom maior, que é o amor, do qual Paulo fala na Primeira Epístola aos Coríntios, cap. 13. É o dom da fé carismática. Chama-se fé carismática, porque é um dom de real expectativa: ele não me faz apenas acreditar em algo; faz com que eu acredite e espere que aconteça.Fé e esperança estão muito ligadas. A fé de expectativa nos leva à esperança, cria todo um comportamento. É isso que o Espírito Santo suscita em nós: atitudes novas.O Senhor quer mudar nossas atitudes, Ele quer dar a nós a fé de expectativa, fé de quem espera que cada um dos dons se realize. A fé carismática sustenta todos os demais dons. O Espírito Santo quer nos dar o dom carismático da fé, o dom de expectativa que muda a nossa mente, que muda as nossas atitudes.Devemos viver pela fé e não apenas pelo raciocínio, por isso, o dom carismático da fé é tão precioso! Infelizmente, derrubamos com palavras aquilo que acreditamos. Muitas vezes, oramos ao Senhor com fé, mas depois dizemos palavras que destroem tudo. Palavras negativas, palavras de murmuração, palavras de quem não acredita.Precisamos cooperar com o dom da fé, não somos mais crianças para nos deixar levar ao sabor das situações. Não, pelo contrário, o Senhor precisa que sejamos homens e mulheres de fé.Fonte: Monsenhor Jonas Abib

terça-feira, 15 de abril de 2008

POR QUE ESTA VIDA É TÃO PRECÁRIA?


POR QUE ESTA VIDA É TÃO PRECÁRIA?
Deus quer nos ensinar a lição sobre a brevidade desta vida
Uma das reflexões mais profundas que podemos fazer é sobre a efemeridade de todas as coisas que envolvem nossa existência. Deus dispôs tudo de modo que nada fosse sem fim aqui nesta vida. Qual seria o desígnio de Deus nisso? A cada dia de nossa vida temos de renovar uma série de procedimentos: dormir, tomar banho, alimentar-nos, etc. Tudo é precário, nada é duradouro; tudo deve ser repetido todos os dias. A própria manutenção da vida depende do bater interminável do coração e do respirar contínuo dos pulmões. Todo o organismo repete, sem cessar, suas operações para a vida se manter. Tudo é transitório… nada é permanente. Toda criança se tornará um dia adulta e, depois, idosa. Toda flor, que se abre, logo estará murcha. Todo dia, que nasce, logo termina… E assim tudo passa, tudo é transitório. Por que será? Qual a razão de nada ser duradouro? Compra-se uma camisa nova, e logo já está surrada; compra-se um carro novo, e logo ele estará bastante rodado e vencido por novos modelos, e assim por diante.
A razão inexorável dessa precariedade das coisas também está nos planos de Deus. A razão profunda dessa realidade – tão transitória – é a lição cotidiana que Deus nos quer dar de que esta vida é apenas uma passagem, um aperfeiçoamento em busca de uma vida duradoura, eterna, perene.
Em cada flor que murcha e em cada homem que falece, é como se Deus nos dissesse: “Não se prendam a esta vida transitória. Preparem-se para aquela que é eterna, quando tudo será duradouro e nada precisará ser renovado dia a dia.” Isso mostra-nos também que a vida está em nós, mas não é nossa. Quando vemos uma bela rosa murchar, é como se ela estivesse nos dizendo que a beleza está nela, mas não lhe pertence. Da mesma forma, quando vemos uma bela artista envelhecer, é como se ela também nos dissesse: “A beleza está em mim, mas não me pertence”.
Com a precariedade da vida e de tudo o que nos cerca, Deus nos ensina, diária e constantemente, que tudo passa e que não adianta querermos construir o céu aqui nesta terra. Ainda assim, mesmo com essa lição permanente que Deus nos dá, muitos de nós somos levados a viver como aquele homem rico da parábola narrada por Jesus. Ele abarrotou seus celeiros de víveres e disse à sua alma: “Descansa, come, bebe e regala-te” (Lc 12,19); ao que Deus lhe disse: “Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma” (Lc 12,20).
A efemeridade das coisas é a maneira mais prática e constante que Deus encontrou para nos dizer, a cada momento, que aquilo que não passa, que não se esvai, que não morre, é aquilo de bom que fazemos para nós mesmos e, principalmente, para os outros. Os talentos multiplicados no dia-a-dia e a perfeição da alma – buscada na longa caminhada de uma vida de meditação, de oração, de piedade –, essas são as coisas que não passam, que o vento do tempo não leva e que, finalmente, nos abrirão as portas da vida eterna e definitiva, quando “Deus será tudo em todos” (cf. I Cor 15,28).
A transitoriedade de tudo o que está sob os nossos olhos deve nos convencer de que só viveremos bem esta vida se a vivermos para os outros e para Deus, de acordo com sua Vontade e suas Leis. São João Bosco dizia que “Deus nos fez para os outros”. Só o amor, a caridade e o oposto do egoísmo podem nos levar a compreender a verdadeira dimensão da vida e a necessidade da efemeridade terrena.
Se a vida na terra fosse incorruptível, muitos de nós jamais pensaríamos em Deus e no céu. Acontece que Ele tem para nós “algo mais excelente”, aquela vida que levou São Paulo a exclamar: “Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (cf. Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (I Cor 2,9).
A corruptibilidade das coisas da vida deve nos convencer de que Deus quer para nós uma vida muito melhor do que esta – uma vida junto d’Ele. E, para tal, Ele não quer que nos acostumemos com esta, mas que busquemos a outra, onde não haverá mais Sol porque o próprio Deus será a luz, e não haverá mais choro nem lágrimas, porque Ele mesmo as enxugará.
Aqueles que não crêem na eternidade jamais se conformarão com a precariedade desta vida terrena, pois sempre sonharão com a construção do céu nesta terra. São os seguidores dos filósofos ou pensadores ateus como Voltaire, Nietzsche, Fuerbach, Marx, Saramago, Freud, Sartre, Kierkegaard e tantos outros que se incumbiram de fomentar o desespero nas almas e até o suicídio, por não crerem em Deus. Esses não se conformaram com a precariedade da vida e a achavam lamentável. Mas, para os que crêem, para aqueles que a Luz de Cristo iluminou a vida deles, já que “Ele é a luz que vindo a este mundo ilumina todo homem” (João 1, 9) a efemeridade tem sentido: pois canta a Liturgia que “a vida não será tirada, mas transformada”; e o “corpo corruptível se revestirá da incorruptibilidade” (I Cor 15,54) em Jesus Cristo.
São Paulo, falando aos filipenses, explicou tudo em poucas palavras: “Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura.” (Fil 3, 20-21). E disse aos coríntios: “Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; semeado no desprezo, ressuscita glorioso; semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso; semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual” (I Cor 15, 42-43). E ainda: “Se é só para essa vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima” (1 Cor 15,19).
Enquanto essas verdades não caírem no fundo de nossa alma – e ali produzirem os seus frutos – não seremos verdadeiramente felizes e realizados neste mundo. Mas também isso é graça de Deus.
Fonte: CN - Felipe Aquino

A FALTA DE ENTUSIASMO


A FALTA DE ENTUSIASMO
Mais importante que saber quem eu sou é saber a quem eu pertenço
Quando estamos doentes o certo é procurarmos um médico. Conforme a doença, ele nos receitará um tratamento adequado. Cada doença requer um tratamento especifico. Por isso mesmo não se deve partir para a automedicação. O diagnóstico médico, os exames complementares e o cauteloso acompanhamento serão decisivos no prognóstico do tratamento, o qual poderá ser uma intervenção cirúrgica, um tratamento à base de antibióticos, analgésicos, entre outros.
O mesmo deve ocorrer com a Cura Interior. Nesse caso, chamo de "automedicação" a busca desenfreada, por conta própria, de terapias e a mistura de teses e correntes pseudo-espirituais. Hoje em dia, fala-se muito em terapias de auto-ajuda. Todos os mestres dessa corrente falam constantemente da necessidade de nos conhecermos melhor, de saber quem somos. Eu diria que, na Cura Interior, mais importante que saber quem eu sou é saber a quem eu pertenço.
A Bíblia nos revela que somos de Deus e que somente n'Ele e a partir d'Ele podemos descobrir os caminhos para a nossa felicidade e realização. Por isso, num processo de Cura Interior é muito importante invocar insistentemente o Espírito Santo. Abrir-se ao Espírito é o primeiro passo para descobrir o infinito amor de Deus em nossa vida. Essa abertura acontece com a oração. Por essa razão é importante achar um lugar apropriado para rezar a fim de evitar as distrações e perturbações. Um ambiente que seja propicio à Cura Interior. Todo o resultado do processo depende totalmente dessas ações.
A Bíblia fala do Espírito Santo como força, dínamo, energia, luz. E entusiasmo é exatemente isso. A palavra "entusiasmo" vem do grego enthousiasmós, “ter Deus (Theós) dentro de nós”. Perdemos a alegria de viver quando deixamos viver em nós o ódio, o desamor, a mentira, o pecado, enfim, tudo o que nos afasta da presença e da graça de Deus. Na Antiguidade, entusiasmo era a exaltação ou arrebatamento extraordinário daqueles que estavam sob a inspiração divina. O Novo Dicionário Aurélio ainda elenca outros significados da palavra "entusiasmo": vigor no falar e no escrever, exaltação criadora, inspiração, flama, admiração, viva alegria, júbilo, dedicação ardente, ardor, paixão... E não são exatamente esses os sentimentos que desejamos em nossa vida?
O primeiro sinal de depressão é exatamente o contrário de tudo isso: falta de alegria, medo, ansiedade, sentimento de impotência, desanimo etc.. Por isso, para que a Cura Interior aconteça é imprescindível a abertura à ação do Espírito e o clima de oração: colocar-se na presença de Deus!
Uma das grandes causas de corações feridos e machucados hoje em dia é exatamente a ausência de Deus na vida das pessoas. Vivemos num mundo que parece não ter espaço para Deus. Enchemos o coração com as coisas do mundo, com os apegos materiais, com forças negativas do pecado. A conseqüência só poderá ser a falta de entusiasmo.
Abra seu coração para Deus. Reserve um lugar especial para Ele em sua vida.
(Artigo extraído do livro "Seja feliz todos os dias")
Fonte: Pe. Léo (SCJ)

CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO !


CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO !

Se pegarmos um lenço e o mergulharmos em uma vasilha com suco de morango, o suco penetrará nas fibras do tecido e ele ficará vermelho. E se o levarmos à boca, sentiremos o gosto de suco. Se o espremermos, o que sairá dele? Suco, é claro, porque o suco penetrou nele. Era isso que Jesus estava dizendo ao usar o verbo batizar: “Porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias” (Atos dos Apóstolos 1,5).

Não se trata de derramar o Espírito Santo em nós, mas de sermos “mergulhados” no Espírito Santo. É como mergulhar um lençol na água: o lençol acaba ficando impregnado deste líquido, porque todas as fibras do tecido ficam cheias d’água. É preciso que o mesmo aconteça com cada um de nós. “Vós sereis batizados no Espírito Santo”. Para que o Espírito nos impregne totalmente, penetrando em todas as fibras do nosso ser, é preciso que aceitemos ser mergulhados n’Ele.

Ser banhados no Espírito é a grande graça que recebemos, de tal maneira que Ele tome conta de todo o nosso ser. O que levamos aos outros não somos nós, mas o próprio Espírito Santo. A partir disso, conclui-se uma coisa importante: os dons estão intimamente ligados à graça de receber a efusão do Espírito Santo. De modo que quem foi batizado n’Ele não pode ficar sem os dons, pois os dons são a mais legítima expressão d’Ele.

Fonte: Monsenhor Jonas Abib

domingo, 6 de abril de 2008

Não espere que os outros mudem. Mude você


Não espere que os outros mudem. Mude você

Não deixe que a mágoa, a raiva, o ódio e o ressentimento cresçam e façam mal a você. Sabe como eu faço? Luto para não alimentar o mal. Clamo pelo Sangue de Jesus constantemente, pelo poder das Suas cinco chagas sobre mim, pelas pessoas e situações.

É fundamental rezar intensamente por aqueles que nos agridem, pedindo a Deus que os abençoe. É importantíssimo abençoá-los e louvar por aquilo que essas pessoas são e representam. Os demais nem precisam perceber que estamos em oração, basta pedir a Deus a graça de olhar as pessoas nos olhos com os olhos d'Ele. Dessa forma, o nosso coração ama e expressa amor.

Quando descobrimos qualidades nas pessoas, neutralizamos o mal, passamos a enxergá-las com outros olhos e o amor nos vence. De maneira alguma devemos ressaltar os defeitos de quem quer que seja, pois todos trazemos traços do rosto de Deus. Precisamos ressaltar o bem no outro.

Nunca espere que os outros mudem; mude você! Ao mudarmos para melhor as coisas começam a se modificar dentro de nós e ao nosso redor, pois nossa visão muda.


Jesus, eu confio em Vós!

AMOR: PROCESSO DE CONTINUIDADE


AMOR: PROCESSO DE CONTINUIDADE
Sempre que escutamos a Palavra do Senhor, por aquilo que Deus é, podemos ter um pouco de dificuldade, mas a Palavra do Senhor tem força. A palavra do outro pode passar pela falsidade, mas a Palavra de Deus não, pois é o Caminho. É como ir a um lugar sem ter um caminho a seguir, caso contrário, nos perderemos. Se quiser ser de Deus, terá que viver as duas vias do Senhor: ‘Amarás ao Senhor teu Deus e ao próximo como a ti mesmo’. O que você entende por esta palavra 'amor'? É impressionante o quanto o amor de Deus nos toca. Os poetas sempre tentaram decifrar o amor, mas nunca conseguiram. Assim como Luiz de Camões em seu poema: ‘O amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer’. O amor não se poetiza. Quantas vezes sentimos o amor e não sabemos onde realmente dói? O amor é revelação, inauguração, tem o poder de ser novo com aquilo que estava velho. Jesus sabe da capacidade de olhar as coisas miúdas da vida, as que não damos valor, e aquelas que ninguém havia visto antes. Colocando os pés no seguimento de Cristo, ouvimos a Palavra para olhar a vida diferente: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’. E o que significa amar o meu próximo? O que significa olhar para o meu irmão e saber que nele tem uma sacralidade que não posso violar? Como posso descobrir este convite de Deus de abrir os olhos às pessoas? No dia de hoje, lhe proponho que acabe com os 'achismos' do amor. Por muitas vezes, em nome do amor, nós fazemos absurdos: seqüestramos, matamos, fazemos guerra, criamos divisões. A primeira coisa que Deus precisa curar é o que nós achamos do amor. O amor nos dá uma força que nem nós mesmos sabíamos que tínhamos. É a capacidade que o amor tem de nos costurar. Quantas vezes olhamos para a objetividade do outro que nos motiva a sermos melhores. É o amor com suas clarezas e suas confusões. Hoje tem um jeito comum de trazer o que você tem de mais precário em sua vida e dar ao outro. Muitas vezes em nome do amor tratamos as pessoas como ‘coisas’. Quando Deus entra em nossa vida e entramos na vida de outras pessoas, temos que entrar como Deus, agregando valores. Caso contrário é melhor que eu fique de fora, porque você é um território que merece respeito. Essa Palavra de Deus é comprometedora. É fazer as pessoas amarem a Jesus pelo seu testemunho, a partir do momento em que você permite transmiti-lo, nesta realidade do dia-a-dia, ao acordar e dormir. Na passagem da sarça ardente (Ex 3,2ss ) Deus se manifesta em uma árvore que pega fogo mas não é consumida. Esse é o amor de Deus: Quanto mais nós amamos, mais somos consumimos, e se estamos esgotados é porque amamos ‘de menos’. Vamos ficando sem o vigor, mas a sarça queima sem se consumir. O fogo do amor não queima, pois é um fogo que faz outro fogo, e a experiência do amor de Deus é feita pelo amor de um para o outro. Amar o outro é levar prejuízo. Quantas vezes você passou noites inteiras acordadas pelo seu filho? Quanto sono perdido? Isso é por amor. Você vai saber o que é amor quando você se consome, mas não se esgota. Você nunca vai dizer que está cansado de amar o seu filho. Você está cansada dos problemas causados pelo filho, mas não de amá-lo. Quantas pessoas que procuram e estão necessitadas do amor, mas em sua busca correndo atrás das micaretas e baladas? A busca do amor está aguçada. Está todo mundo querendo saber o que é o amor, e todos precisando de cura. Quantas pessoas foram amadas erroneamente, trazendo as marcas de um amor estragado. Quando alguém nos ama com um amor estragado, só se percebe em longo prazo. Como comer uma comida podre que vai dar um problema sério no futuro. Aquele desaforo, aquela traição, aquela mentira e o que você fez com tudo aquilo? Como aquilo repercutiu em você? Aquela experiência ruim que sofreu, onde está? Quando digo que amo a Deus, estou dizendo no avesso desta frase que amo a mim também. Nenhuma pessoa pode amar a Deus se não se ama. Nenhuma pessoa pode ter uma experiência com Deus se não for pelo amor a si próprio, pelo respeito por si mesmo. O amor a Deus passa o tempo todo pelo cuidado que eu tenho com a minha vida, com a minha história. Deus nos quer cuidados. Você precisa redescobrir a graça de se amar. Quanto você se ama? O que você ainda espera de você mesmo? Como você ainda se cuida? O quanto você ama a Deus? O que você faz por Ele? Quanto do seu tempo dedica a Ele? As mesmas respostas das primeiras perguntas valem para as segundas. O tempo em que você se dedica a Deus, dedica a você mesmo; pois a obra que Ele quer restaurada é você. ‘Se quiser entrar em minha vida retira as sandálias, pois esse solo é santo’. O amor que tenho a meu Deus é um amor a mim mesmo. Deus quer ser glorificado através de mim. Não haverá a possibilidade de sermos santos se não retirarmos de nós as 'podridões'. Tenha coragem de tirar as histórias do passado que doem e que você as carrega até o dia de hoje. O alvo deste acampamento, não é o amor que você tem a Deus, mas é o amor que você tem a você mesmo, que é determinante para saber a sacralidade do outro. A gênese da nossa capacidade de amar o outro, está na incapacidade de não me amar. A conversão é um movimento contrário, para amar a si mesmo. É impossível uma pessoa que se ama se drogar, ou deixar uma outra pessoa jogar para dentro de si uma substância letal. Como sou capaz de amar o próximo como a mim mesmo, se ainda não me amo? Faça caridade a você primeiro. Os seus amigos irão agradecer por você se amar. Quando o amor nos atinge, seremos mais felizes. Vamos experimentar da graça e dar a graça ao outro também. Um povo que se ama é um povo que sabe aonde vai. O amor a Deus e ao próximo é um amor a si mesmo. Eu ainda acredito no que Deus pode em mim. Volte a gostar de você! Padre Fábio de Melo(Acampamento da Cura e Libertação dos Afetos e Emoções - Transcrição: Eliziane Alves)